Belo Horror



Como explicar essa ambiguidade de sentidos em que me metes?! Não é possível definir o indefinível, conhecer o que já é conhecido, pesar o que é tão leve, carregar o que é tão pesado. Será possível haver tal corpo fatal e monstruoso e tal alma insolente e insubordinada como a tua? Qualquer coisa quisesse que fosses só sonho acordado da minha cabeça e, os defeitos, que não te encontro, fossem verdadeiros e substituíssem essa blasfémia e esse insulto que é a tua presença. E pode o feio ser tão belo? O horror ser tão cativante? Onde está a tua a beleza, essa que todos reclamam de ti como se fosses o dono do mundo, o senhor do reino. Que reino? Não gosto de gostar de certos pedaços teus. Antes gostasse do total que me afasta e aflige com pontadas de raiva no meu coração a muito cicatrizado. Acordo do teu pesadelo e penso que foi um sonho, mesmo suando e respirando como um animal enfeitiçado de uma longa corrida de caça. Pega lá nesse teu "bonito" e sai daqui. Como explicar que não consigo encontrar explicação para o facto de te ter dado demais quando merecias de menos? Admitir o erro só me faz perguntar mais. E que faço com isto? Escrevo e deixo ao vento? Devia enfiar-te cada silaba a força, penetrar-te com elas bem abaixo da pele, assim sentirias o meu horror, o meu maravilhoso e deslumbrante horror. 

9 comentários:

  1. Esta tão forte:| e lindo, mas isso e como sempre:) parabéns por mais um belíssimo texto!

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  2. ai, escreves tão mas tão bem o.o
    está mesmo nem sei o caracterizar, parabéns :o

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  3. «Dás sentido ao que escrevo!» - ena, esta deixou-me sem saber o que dizer:$

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  4. Tens noção que me deste dos elogios mais bonitos que alguma vez vou poder receber? Escrever com o coração. E o que quero - e e tão bom que alguém o consiga ver/sentir.

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  5. Mais uma vez obrigada, querida Hapi.
    Eu por aqui - e por outros lados - também me identifico muito com alguns texto. Acho que e comum esse sentimento por aqui: identificarmo-nos uns com os outros. As palavras parece que foram mesmo escritas para nos, ou poderíamos ter sido nos a dizê-las. Não que isso seja sempre bom:|

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