Don't wait for the sun in times of darkness


Decidi não esperar por ninguém nem pelo sol. Saí pela porta para melhorar mais um ponto. Não posso esperar dias de sol, nem as flores esperam. Vi muitas tulipas vermelhas junto de ruminantes lanzudos pelo caminho e sorri só porque a Natureza existe e olha que chovia e olha que não fazia isto à muito tempo, sorrir porque sim. E queria que visses aquilo comigo, era tão bonito e tu ias dizer qualquer querida acerca, eu sei. Caminhei à chuva debaixo de um casaco enorme que não me protegeu e também não fiz que questão que o fizesse. À quanto tempo eu não o fazia e eu sempre digo a todos que gosto. Gosto mesmo. Não me lava a alma porque não tenho uma mas o frio desperta-me para a vida que ainda possuo ou virei a possuir. Mas antes disso eu já estava melhor, menos tenebrosa como o mar deve estar hoje, em tempestade, porque li algures que se não fosse amor ela já tinha desistido e é verdade. E ainda li todas as últimas cartas que te escrevi e já me disseram que quem escreve assim só pode amar. E eu vi muito amor nas minhas palavras e lembrei-me de onde veio a dor. E não adianta, a dor vai lá ficar por muito tempo se eu não perceber que ela não tem remédio no que toca a quem me magoou e agora tudo vai leve para eles mas não tarda fica pesado e acautelo-me, não há volta a dar, funciona em ciclos. Mas não posso deixar que o meu amor se vá e não posso continuar a desconfiar do céu e da terra, e se ele for um dia não posso deixar que não seja por um forte motivo e deste mundo, não pode acabar por uma fantasia hipócrita. Não posso ser assim tão burra. Aliás acreditar nisso seria uma falta de inteligência que os que admiro pela diferença reprovariam de imediato. Mas não te enganes, a tua tarefa não terminou e se ontem me encontrava no fundo foi porque não te senti, porque continuas sem percorrer cada pormenor que te peço. Não podem ser só palavras ou só actos, há que a ver um meio termo. E a conquista faz-se pela paixão. De que eu tenho saudades como tenho saudades da alegria a todos os segundos. E eu preciso de abrir o meu coração para a verdade dos meus dias e conhecer-me como antes. E tu precisas de o acalmar para que eu possa ver tudo o que fazes. Podes que ainda continuo a tua espera, serena agora porque não há outro lugar para onde eu possa ir sem saber se não és tu o sitio e isso só tu podes mostrar. Vou fazer o jantar para nós, espero que valha a pena tudo isto.

6 comentários:

  1. Lidíssimo todo o texto. Gostei particularmente desta parte: "E eu vi muito amor nas minhas palavras e lembrei-me de onde veio a dor." Quem ama sempre espera, sempre acredita um pouco mais. E vale sempre a pena esperar por quem também um dia esperou por nós. Quanto ao teu comentário... Bem, na verdade não tem de ser sempre assim (e não o é, de facto) mas parece-me que estamos todos iludidos com a ideia do que é o amor e sentimo-nos frequentemente indignados quando não somos correspondidos. Na verdade quantas vezes fomos nós a jogar fora todo o amor que nos deram? Quantas vezes fomos nós a desprezar aquele que mais se preocupava connosco? E quantas vezes dissemos que o amor não era justo sem antes pensarmos nas injustiças que já cometemos em prol de uma paixão? Também nós já fomos os vilões, já trocámos alguém melhor por uma pessoa que era pior. E da mesma maneira que nós o fizemos, também não nos podemos iludir e esperar que ninguém o faça connosco. São os tais golpes que a vida às vezes nos prega e que nós nunca percebemos.

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