Afogar-me
Pele
É no instante exacto, nem um segundo mais cedo ou mais tarde, mas nesse exacto e preciso instante em que me olhas antes de apagar a luz, que me sinto a rapariga com mais sorte no mundo - Margarida R. Pinto

A minha pele não fala, mas bem que podia falar. A minha pele não fala, mas se falasse facilitava-me a vida... Podia dizer-te o arrepio dela, a sensação, o toque. Podia dizer-te qual a sensação de ter a tua mão na minha anca, na minha perna, na minha barriga, no meu peito, nos meus braços, e qualquer outro canto do meu corpo onde toques, ela poderia dizer-te a magia que é. E hoje quando adormeci nos teus braços ela poderia dizer-te o quão fantástico é o contorno do teu peito e a suavidade que ele me transmite. E quando estou debaixo dos teus, agora quase nossos lençóis, ela poderia dizer-te o quanto lhe sabe bem suar e poderia suspirar mais alto que eu.
Mas a sensação que me deste hoje ela não conseguia descrever. Não me sai da cabeça. Pela primeira vez consigo pensar em algo que me traz paz, depois daquilo tudo. Eu adormeci e tu acordas-te-me, até ai nada de anormal, não é a primeira vez que adormeço na tua cama nem será a última... Mas não me chamas-te, não me abanas-te. Beijas-te-me. Senti os teus lábios perto dos meus olhos, depois foram descendo, sempre saltitando, até à minha boca, e eu despertei! Disse que eras lindo, que te amava, mas estava cheia de sono, por isso, abracei-te, envolvi-te, beijei-te muitas vezes e adormeci com os meus lábios nas tuas pálpebras... E depois não queria sair dali, não queria mas agora chegou a noite e estou aqui. Na minha cama, que foi tua hoje de manhã e posso-te dizer que ter-te na minha cama a dormir é a visão mais aconchegadora do mundo.
A minha pele bem que podia falar, mas continuava ser pouco, muito pouco.
«Henrique III»

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