Ouve o teu coração



Sou o teu coração e já não aguento mais. Não aguento que insistas em ser triste e procurar problemas. Não aguento essas lágrimas diariamente nocturnas. Não aguento essas mãos que empurras contra o meu leito, o teu peito. Eu preferia quando ele te abraçava e beijava e te derretias nos seus braços, gostava mais quando me davas esperanças, que eu sabia serem mentiras, mas tinha mais descanso assim. Agora não, choras todas as noites, gritas todas as tardes, dormes todas as manhãs no teu sofrimento. Porque não lhe dizes que o amas e esperas que ele te ame de volta? Só isso. É simples. Amas e aguardas que te amem. Anseias demais, desesperas demais. Pedes sempre amor, arranjas sempre justificações para ele não estar lá, mas ele está. Se quisesses amar menos, talvez amasses mais. Se orasses menos, talvez ouvissem as tuas preces. Eu gostava assim quando saboreavas cada beijo e usufruías de cada aperto e afago, mas tu erraste. Erraste não quando traíste a confiança dele, mas quando achaste que era a preocupar-te em apagar isso e fazê-lo o homem mais feliz do mundo que o farias realmente. Ele amava-te antes, ama-te hoje, sua louca. Se pensasses menos! Dá-me uso. A cabeça não foi feita para amar, eu é que fui! 

Ténue Linha



Quando estamos a lutar por algo, quando estamos a fazer por ser feliz, quando queremos seguir em frente, começar de novo, esquecer o passado e dar asas a sonhos antigos e ganhar novos objectivos, quando estamos nesse muro alto, aquilo que nos pode atirar abaixo dele é muito e o que nos pode salvar da queda muito pouco. Qualquer coisa parece ser capaz de nos abalar e parece haver em diminuta aquilo e aqueles que nos equilibram na corda bamba. A linha entre o sonho e a desilusão, a felicidade e a infelicidade, o lutar e o desistir, é ténue. Quando caímos, levantar é difícil e voltar a cair é demasiado fácil. Mas respiramos fundo e lembramos-nos do propósito e principalmente do que nos levou aquele mal fadado ponto, aquele choro, aquela saudade de ser feliz. Dizerem-nos "força" na hora não serve de nada, dizerem-nos que somos "bonitas" no momento em que nos sentimos tão feias, principalmente porque estamos sujas por dentro, parece tão desnecessário. Mas vale a pena. Porque há um dia, e todos temos esse dia, em que acordamos e deixamos de querer ser possuidoras de ouvidos surdos e gritamos que a força está connosco e que queremos ser bonitas para da próxima vez dizer "Obrigada!". 
Mas temos que reconhecer que a linha é quase transparente, que é provável que a passemos mas que é preciso voltar, que vai ser complicado, que dará vontade de desistir. E há gente e há momentos que não valem a pena, que nunca valeram. Que somos humanos, que não esquecemos o passado mas somos capazes de viver com ele e aprender dele, e podemos sonhar dele. E o presente importa, é o mais importante. Dia após dia. Devagar e saboreando. 
Aprendi nestes últimos tempos que a vida é um romance barra drama. Que é um filme triste mas feliz, e vice-versa. É um best-seller que inspira, mas que temos de fazer para que mereça boa classificação, com trabalho árduo. Ajuda se tivermos uma boa equipa, a qual temos de escolher. A vida é uma bela história de amor, como tal dolorosa mas recompensadora. Há altos e baixos, talvez mais baixos, mas recompensamos com a intensidade dos elevados. 
Estou nesse muro. Apesar de custar, acredito no bom e no belo. Vejo essa linha todos os dias, perco a força muitos minutos e choro outros quantos, mas levanto-me. Sempre fui assim, lutadora, e sempre serei. Tal como vocês, basta querer... Lutar na vida é uma questão de hábito, lutas pelo pequeno e o grande é corrida para atleta! 

Lovers