Relembraram-me que o jogo só é bonito no inicio quando o coração não tem memória. Estranho não me lembrar das minhas palavras sóbrias tão bem como me lembro das perdidas durante a noite. Se eu fizer isto de forma errada, podes entender como correcto, por favor? Porque eu não sei agir no suposto, muito menos em direcção a ti. Dói mais deixar-te do que perder-te. Dói-me do lado esquerdo do peito o lado direito da cara que recebe beijos que não são teus. Dói-me as mãos que me tocam e nenhuma delas é a tua. Dói-me o afastamento que vivo de mim por me querer afastar de ti. A cada passo que dou sem olhar para trás, estás tu ao meu lado a perguntar todas as razões do mundo que consiga inventar rapidamente sem que percebas que eu não tenho respostas nem certezas, nunca. Que tanto quero e tanto rejeito, como em quase tudo o que se assemelha à vida que sonho. A sombra da tua cara debaixo dos lençóis às oito e meia da manhã, a minha sombra a esconder-me os destinos que sei puderem ser meus. O fumo pelo quarto e o nevoeiro em que tudo se vai tornando. Nem tenho saudades tuas. Não tenho mais saudades tuas do que aquelas que já tive quando as tive mais. Não tenho saudades. De nada. O meu coração não tem mais memória, nem espaço. Estranho. Podemos voltar a ser? Prometo perder-te desta vez.
Ainda não voltei
E de frente para todas as coisas
A passos largos ou pausadosDeslumbro a minha existência fora de mim
Numa que não sou eu
Assumo a história de todos os que proximamente me rodeiam
Como se eles mesmos não soubessem viver a vida deles
Mas sou eu que não sei viver a minha
E olho para trás em todas as coisas
Não vejo nada senão actos que não foram meus
Escolhas que me são alheias
Quero ir embora, quero ir embora
Sem terra e sem mãe
Quero ser mãe dos meus sonhos
Criá-los como estes passos largos
Vivê-los pausados
Nada disto é meu
Por capricho de não tocar em nada nem tomar nada como meu
Não querer adquirir nada para além de livros e mais sonhos
Resta de mim apenas a roupa preta espalhada pela casa
A sombra do que realmente sou
Estou mal
Sinto-me intrinsecamente mal
Incapaz de olhar para mim própria
Confrontada pelo espelho, sinto-me bem
Mas as pedras da rua
As pedras da rua estão a julgar-me a cada passo que dou
Julgo-me parada
Tropeço nos pássaros que cantam no meu ouvido
De um livro que fala da leveza da alma
Pesada
A pagar para viver numa cidade que não gosto
A fazer o que não quero
Juntei-me a peça teatral dos demais
Perdi-me, confesso
Quero ir embora, quero ir embora
Mudar de nome
Já pensaram em mudar de nome?
Antes disso tenho que acabar de fumar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Ilusórias Certezas - Facebook
