Ingenuidade do Optimismo



Eu posso ter esta mania de ver qualquer parte boa em tudo e em todos, talvez para colmatar o que há de mau em mim e posso até iludir-me com as pessoas ao achar que há sempre uma razão válida para o pior delas e que o seu melhor virá sempre ao de cima. Eu sei, não é a posição mais sensata. Sou optimista. 
E, quanto a ti, eles podem não perceber o porquê de seres tu, o porquê de seres o único, o porquê de seres o "eleito", como gostam de te chamar estupidamente. Sim, estupidamente, porque eu não escolhi nada nem ninguém, antes assim fosse, antes eu tivesse essa capacidade de escolher as pessoas consoante o seu mal e o seu bem, ao invés de contrariar o meu famoso "sexto sentido" que toda a gente admira. Mas o porquê de seres tu está na forma como me tratas, está forma como me fazes tolerar e aceitar o que há de mau em ti ao invés de tentar fazer de ti outra pessoa, está forma como me fizeste deixar de sonhar tanto para passar a viver mais (contigo). Como tu beijas, como tu abraças, como tu olhas, como tu te mexes, como tu falas, como tu andas, como tu sorris, para mim. E não, não fui eu que inventei o fogo, e  muito menos a chama, nem fui eu que inventei o mal e o bem, e muito menos te inventei. Não fui eu que fiz, foste tu, dou-te o mérito. Nem sou eu que me voltei a conquistar, nem sou eu que fiz por voltar. Foste tu que não desististe e me resgataste. Por isso, valeu a pena o optimismo, sempre te ensinei alguma coisa. Sempre passei alguma coisa a alguém. 
Não me arrependo, nem um segundo, e por isso não posso admitir que me digam "desiste que vocês nunca vão ficar juntos...". Não gosto de pessimistas, muito menos de falsos sonhadores e desiludidos. Desiludidos são amadores, quem não sabe sonhar e acarretar com as consequências, então que não sonhe. Quem se ilude somos nós, não são os outros que o fazem. Quem não sabe se levantar, que não caia. Quem não sabe lutar, que não lute. E quem se desilude que morra sozinho, sem levar ninguém. Porque aí deixo a ingenuidade do optimismo e relembro que "Para todo o mal há um pior". 

Redondamente



A forma como julguei conhecer-te foi absurda, a forma como só olhei para os teus defeitos foi monstruosa. A forma como te escrevi como o vilão e a forma como te desenhei como risco fora do sítio. 
Imaginei-te num plano diferente, inferior, superior, tudo menos no meu plano. Fiz de ti a jarra em que não se toca e se pensa saber feita de material frágil, fiz de ti o quadro com a fita vermelha em frente, a proibir a passagem. 
Enganei-me. 
A forma como julguei conhecer-me é que foi absurda, senti-me tão bem na minha pele lá. A forma como só olhei para as minhas virtudes é que foi digna de má da fita. A forma como me escrevi como heroína é que foi ridícula. E a forma como me desenhei num circulo fechado é que estragou tudo. 
Imagino-te no meu plano. Faço de ti a minha saudade, a minha eterna impossibilidade, e sou eu a fita vermelha, o material de que é feito a jarra.  
Iludi-me. 

Lovers