Matematicamente





Quando dividimos certezas por incertezas, qual é o resto? Quando não sabemos dividir, poderá a sorte dar-nos resultado certo? Podemos nós ter boa nota na vida, só por mero acaso? Não. Não acredito que possamos. Temos que saber bem somar corações, subtrair sofrimentos, dividir certezas por incertezas, dar a dose certa de números à dose certa de estudo. Na matemática, como na vida, é preciso prática, tentar e tentar mais uma vez. Mesmo depois de horas de folhas e raízes quadradas, é preciso, perante o cansaço, resistir. Perante um bom professor, saber aproveitar o que ele tem para dar. Perante um mau professor, superar as dificuldades. Tal como as pessoas na nossa vida. 
Será demais reduzir a vida a um conjunto de cálculos bem efectuados ou uma distracção de décimas, mas quando tu não sabes o teu resto, reduzes tudo demais. Torna-se tudo demasiado "menos", demasiado "pequeno", demasiado "não serve", demasiado "não pode ser", demasiado "não consigo". Sendo dividendo, tens que ver bem os divisores. E continuar a "ganhar fôlego".

Belo Horror



Como explicar essa ambiguidade de sentidos em que me metes?! Não é possível definir o indefinível, conhecer o que já é conhecido, pesar o que é tão leve, carregar o que é tão pesado. Será possível haver tal corpo fatal e monstruoso e tal alma insolente e insubordinada como a tua? Qualquer coisa quisesse que fosses só sonho acordado da minha cabeça e, os defeitos, que não te encontro, fossem verdadeiros e substituíssem essa blasfémia e esse insulto que é a tua presença. E pode o feio ser tão belo? O horror ser tão cativante? Onde está a tua a beleza, essa que todos reclamam de ti como se fosses o dono do mundo, o senhor do reino. Que reino? Não gosto de gostar de certos pedaços teus. Antes gostasse do total que me afasta e aflige com pontadas de raiva no meu coração a muito cicatrizado. Acordo do teu pesadelo e penso que foi um sonho, mesmo suando e respirando como um animal enfeitiçado de uma longa corrida de caça. Pega lá nesse teu "bonito" e sai daqui. Como explicar que não consigo encontrar explicação para o facto de te ter dado demais quando merecias de menos? Admitir o erro só me faz perguntar mais. E que faço com isto? Escrevo e deixo ao vento? Devia enfiar-te cada silaba a força, penetrar-te com elas bem abaixo da pele, assim sentirias o meu horror, o meu maravilhoso e deslumbrante horror. 

Lovers