Aos que não sabem nada e aos que acreditam em tudo. Aos que vivem na violência da ignorância e aos que se perdem fora de si mesmos. Nada se alimenta inteiramente do bem, nada sobrevive às custas do mal. A inocência tem quase idade marcada, para lá disso, quando queremos mais do que já temos, quando temos sonhos, quando fazemos esforços, para lá de nós mesmos, tudo implica contra-ordenações. Tudo se escreve por linhas tortas. As questões do correcto ainda se colocam, mas as questões da liberdade ainda terminam no próximo. Ainda não achamos que vivemos sozinhos, mas sabemos que ainda não controlamos o tempo. Quanto da inocência nos restar, será esperança. Nunca por um momento tenhas a convicção de que alguém te quer bem, só as mães são nossas mães. Mas nunca penses que todo o mundo te quer mal, não és importante. Não somos importantes. Somos um bocado daqueles que trazemos connosco e no entanto ninguém é capaz de se responsabilizar pelos teus erros. Eu sei. Tu és tu, na mais ínfima possibilidade de não seres tu, nunca o deixarás de ser. Quando julgado, quando te for apontado o dedo, saberás explicar as tuas razões. Quando fizeres asneiras, não precisas de ficar no choro. Se eras a criança que gritava, se eras a criança fora da idade, se eras a criança para lá da infância, não precisas de chorar. Se eras a criança que desconstruiu tudo o que lhe deram, parte agora. Mas se quiseres chorar, chora por nos terem ensinado que podíamos estragar tudo na possibilidade de nos ser dado de novo o que achávamos que queríamos, é um problema da nossa geração. Mas nunca te descartes. Nunca te metas um rótulo de bondade e nunca igualmente te aches a pior pessoa do mundo. A revolução ainda está nas cabeças. A necessidade de mudança ainda está em cada um. Não se pode proclamar liberdade a par das nossas acções diárias, podemos perceber que somos uma contradição. No entanto, "também somos aquilo que os outros nos autorizam", por isso hoje não fiques a achar que a tua liberdade acaba onde começa a dos outros, como sempre te disseram. Hoje e daqui em diante a tua liberdade tem que ser a do outro. Se fores capaz, não queiras saber tudo, acredita que não há nada para lá de nós. (Porque me deram a liberdade de escrever).
Não te sei gritar
Eu encosto a cabeça no meu sufoco, na cabeceira da minha cama, e sinto as lágrimas no meu pescoço, que me incomodam, que me prendem a pele e deixo-as estar. Todos os esforços que faço são nulos, nada haverá que me possa prender. Esta falsa cumplicidade, esta hipócrita confiança nos outros. Não sei de onde vem esta dor, que dura sempre, não me consigo abstrair do eco, sinto tudo como se fosse roubar de mim mesma. E nada me atravessa. Estou a ficar doida com esta minha sensibilidade. Expulso a dor e não quero sentir porque não sei sentir pouco quando não sinto nada. Não sou, nunca fui, nunca serei, feliz aqui. Tenho anos presos de não pertencer a este lugar e todas as pessoas que passaram por mim fizeram-no por fazer. Eu quero parar. Quero saber como é quando alguém se sente em casa mas duvido que tenha uma. Porque é que as pessoas ficam umas com as outras? Porque é que as pessoas têm outras pessoas? Onde é que isso é amor? Onde é que amor pode transformar-se em palavras, quando as palavras só servem para magoar? Tenho uma inércia que me pesa o corpo tão grande que se tornou na força gravitacional dos meus sonhos. O que entendo por universo estendeu-se tanto que sonho com a lua e nos meus sonhos a dormir tenho pesadelos sempre a fugir de alguém que eu nem sei quem é. Alguma ideia quer que eu fique aqui e eu não fico. Fico rebelde perante o meu espelho. A minha dor é sozinha e não posso contar a ninguém que sei sentir, porque ninguém sabe o que é sentir nada e sentir tudo. Ninguém sabe como é querer ser e não querer parecer. E eu dava as minhas vontades por poder contar isto a alguém que me percebesse. A felicidade e os desgostos são tão fáceis para os outros que choram e se manifestam em público, cheios de gritos, dores e tristezas. Para mim, que nunca expresso a expressão de querer fraquejar torna-se tudo uma asfixia. Onde é que deixo a força, os desejos, o querer saber? Onde é que paro? Quero ser como vocês todos e no entanto não vos quero para nada porque nada do que me dão, me serve. Sinto falta do inebriante sentido de limbo. Da revolta das coisas por fazer. Os meus conflitos são velhos e tomam a cada dia um sentido novo. Sinto-me sem travão, pronta a arruinar tudo, pronta a mandar tudo e todos embora, como se o meu processo de despedida tivesse agora começado. E não há ninguém que me pare. Não quero ouvir ninguém, ninguém me é sincero o suficiente. Estou para lá do egoísmo, do egocentrismo. Já nada me toca, já não me incomoda o que faço aos outros. A minha dor na falta de dor, voltou. E a única que não tem regresso sou eu porque não existe passado, nunca existiu. E tudo o que demais existe sou eu, a minha genialidade, e esta vontade de sair daqui. Preciso de parar. Preciso que me parem. Mas como sempre, não. Não vai deixar de ser assim.
Ultrapassa-me
"E depois existem pessoas como tu em que uma pessoa se perde por tempo indefinido. Presa numa contemplação de algo superior."
Não. Eu desisto. Daquilo que eu considero transcendente. Daquilo que me afecta a alma. Não tenho uma. Porque me secou aquilo que me ultrapassa. Estes actos de transpor qualquer coisa não são meus. Estes desafios não são o meu jogo. O meu jogo nem pertence aqui. Não vou ficar porque aquilo que eu quero é pertencer. Não vou ter porque aquilo que eu quero não te pertence. Queria voltar atrás e não há voltas no mundo a não ser todas as que podemos dar. Eu não desisto. De ter uma alma. De um dia amar algo ou alguém. Mas não aqui, não agora. Não posso. Nem há maus caminhos ou destinos errados, é só que eu tenho medo. Dos gestos desmedidos. De te dizer o que já toda a gente te disse. De te mostrar o que não tem alguma coisa para ver. Não vejo nada. Nada. Só me vejo a mim. Entendes porque não tenho necessariamente algo que me possui. Algo que eu possua. Mas nem necessariamente nem para lá do que é palpável, não há nada que ultrapasse isto. Isto que não é isto. Isto que sou eu. Vejo-te pelo espelho. E não. Não vou ficar. Considero-me totalmente descrente de tudo e coloco-me de maneira aleatória na vida dos outros. Se fui ficando com alguém e se alguém ainda me tem na sua vida foi um golpe de sorte. "Sorte". Mas agora que ninguém sabe nada, agora que os meus segredos não são partilhados, neste momento em que ninguém me conhece, eu posso ir. E não tenho lugar para ir ou para ficar. Imagino-me em campo de guerra aberto e todos morrem à minha volta. Eu não fico de pé nem fujo. Eu não enfrento nem me derroto. Nem me mato nem deixo que me firam. Corro e fujo porque não quero morrer. Não posso ficar. Não há medo maior do que este. Não vou ficar. Há quem te possa contemplar por mim, dar-te batalhas melhores, eu sou só eu e eu não estou nem quero estar aqui. Não posso gostar. Tão simples e tão complicado como isso.
Não. Eu desisto. Daquilo que eu considero transcendente. Daquilo que me afecta a alma. Não tenho uma. Porque me secou aquilo que me ultrapassa. Estes actos de transpor qualquer coisa não são meus. Estes desafios não são o meu jogo. O meu jogo nem pertence aqui. Não vou ficar porque aquilo que eu quero é pertencer. Não vou ter porque aquilo que eu quero não te pertence. Queria voltar atrás e não há voltas no mundo a não ser todas as que podemos dar. Eu não desisto. De ter uma alma. De um dia amar algo ou alguém. Mas não aqui, não agora. Não posso. Nem há maus caminhos ou destinos errados, é só que eu tenho medo. Dos gestos desmedidos. De te dizer o que já toda a gente te disse. De te mostrar o que não tem alguma coisa para ver. Não vejo nada. Nada. Só me vejo a mim. Entendes porque não tenho necessariamente algo que me possui. Algo que eu possua. Mas nem necessariamente nem para lá do que é palpável, não há nada que ultrapasse isto. Isto que não é isto. Isto que sou eu. Vejo-te pelo espelho. E não. Não vou ficar. Considero-me totalmente descrente de tudo e coloco-me de maneira aleatória na vida dos outros. Se fui ficando com alguém e se alguém ainda me tem na sua vida foi um golpe de sorte. "Sorte". Mas agora que ninguém sabe nada, agora que os meus segredos não são partilhados, neste momento em que ninguém me conhece, eu posso ir. E não tenho lugar para ir ou para ficar. Imagino-me em campo de guerra aberto e todos morrem à minha volta. Eu não fico de pé nem fujo. Eu não enfrento nem me derroto. Nem me mato nem deixo que me firam. Corro e fujo porque não quero morrer. Não posso ficar. Não há medo maior do que este. Não vou ficar. Há quem te possa contemplar por mim, dar-te batalhas melhores, eu sou só eu e eu não estou nem quero estar aqui. Não posso gostar. Tão simples e tão complicado como isso.
Improvavelmente
A natureza das pessoas é curiosa. O homem que mais souber não ser ele mesmo será aquele mais humano. Ser pessoa passa por não nos recusarmos à naturalidade de querer assumir papéis. Estou perdida, não sei qual é o meu. Será sentir, o que sinto perante um papel? É por isso que não crio laços. Tudo o que sinto é fingido e estou cansada de não ser o nada daqueles que não fingem e por isso nada são. Não quero ser merda nenhuma. Revolta-me a existência do homem, das pessoas, tantas, que se perdem em sentir tudo desmesuradamente. Dou liberdade e abro aspas para mim. Sentir não me pertencer e sei que todas as coisas que não me pertencem residem em dor. Se nada queres, nada podes ter. Se tudo tens, há espaço para seres. Não sei o que quero. Na verdade, nunca soube. Agora que sei, já nada sei. A fonte está nas histórias. Fecho aspas. É o que tu, talvez todos, precisem. O papel é uma necessidade e somos todos humanos. Resumindo isto a nada.
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