Diamante


Armas carregadas, saiu para matar. Esquece o canto da sereia, a fatalidade é feita de preto e renda. Escusas de prometer e jurar, nada podes dar a quem já tem tudo. Tira-lhe o chão, as certezas, causa um terramoto nas suas pernas, talvez ela te ame por isso.
O vestido era comprido e não sei o tecido, mas era leve, tão leve, acho que nunca vi algo tão leve. E o corpo era nítido, cozido ao modelo, linha por linha. Apertou a fita fina do sapato, não perdeu oportunidade nem contacto e subiu a meia terminada em renda pormenorizada com motivos geométricos de elástico bem apertado. Colocou a arma, pisando a pele no mesmo tom roxo dos lábios. Passou o lápis preto, espesso, profundo. Olhou-se ao espelho... descansou o olhar, pegou no cabelo, puxou com força e fez um "rabo de cavalo" bem alto. Tinha acabado de pintar os cabelos de negro. Tudo era negro. Afiou as unhas pelo maxiliar. Hoje saia com duas certezas e uma boa idade para as ter: estava melhor que nunca e não ia agradar a ninguém.

Aviso feito


Ao cruzar a esquina, ao atravessar a rua, ao pisar a calçada, ao seguir em frente, ao deixar-te para trás, ao antecipar-me, ao emancipar-me, nunca esperei encontrar-te de novo.
Fui e corri o mais que pude para longe, para todas as terras que não pisaste. Quis deixar de sentir todas as correntes de ar que fizeste. Mas. Mas quando voltei as costas, desejei que me fizesses ficar porque nunca me dou por vencida e porque não gosto de perder para ninguém nem nada, perder sonhos é pior que ter o coração partido. Estar errado tudo o que julgamos certo é perder a alma para a morte. Jurei que ouviria a tua voz e que de todas as vezes que me visses pedirias perdão ao céu, arrependido de expulsares alguém tão divino como eu.
E eu iria quantas mais vezes fossem preciso à busca de mim, do meu brilho, dos meus dias mal calculados, porque deixei o exacto de vez faz muito tempo. E percorreria todos os mesmos passos para conhecer o amor. Nunca mais aceitarei que me façam promessas como me fizeste, nem que me olhem assim ou me toquem assim. Nunca mais me atravesso na rua com medo de enfrentar o passado. Das minhas horas controladas não posso ter minutos perdidos em algo tão pouco nobre.
Quando escolheres amar, ama. Ama, ama, ama. Não finjas, não penses, não leias, não vejas filmes, não calcules, não idealizes, não contes, não ouças, não vejas. Sente. Ama. Ama. Ama. Cumpre o teu coração, cuida do outro. Compromissos não se fazem com histórias, contos, números, matriculas, inscrições. Fazem-se com pessoas, para pessoas, por pessoas. Compromissos não são promessas, que estas são para mentirosos. E se não for assim, vai tirar um curso, vai trabalhar, vai ficar tonificado, vai arranjar companhia, não companheira, vai beber, vai sentir as luzes e não o brilhozinho, vai mas vai. Não vás e fiques. E se amas então não queiras ser desse jeito porque pelo menos a mim o mundo corre bem independentemente de quantas vezes te veja, eu sou forte e sinceramente, tu sabes, eu sei, que tudo me passa e que eu sou a maior força que conheceste. Porque eu consigo fazer tudo e mais. Consigo ter essa vida vulgar e ter a interessante. E nunca podes dar por garantida uma tempestade, então nem imagines que possa ser menos do que isso de todas as vezes que partilhar-mos o vento.
Ainda por cima, vejo o futuro.

Lovers