Born to die
Não queria escrever, porque as dores também me tomam a inspiração e eu não queria repetir-me e escrever mais uma carta sem efeito. Mas, ao ler e ouvir alguns blogs, apeteceu-me. E nem sei por onde começar ou mesmo qual será o tema. Sobre amor ou dor. Sobre felicidade ou tristeza. Sei que não faz diferença porque não consigo transformar este aperto em palavras e, muito melhor que isso, em actos. A dor maior eu pensei que seria a com lágrimas e aquela que não me deixa respirar, aquela que vêm depois do impacto, mas aquilo que ficou foi bem pior. Eu não sei mais o que é o amor, nem sei mais se sei amar. Os meus pensamentos são sempre negros e o meu espelho só me mostra algo feio. Não sou mais bonita nem nada que se pareça. Não tenho mais sorriso nem alegria. Não tenho mais os olhos a brilhar, a não ser porque estão inundados. Olha no que me tornei. No ser mais triste que poderias conhecer, de facto nunca me conheci assim. Tenho um grave problema para resolver: resolver-me. Quando estás comigo não me apetece que estejas porque a força que eu procuro em ti, não encontro e a felicidade que eu queria que me desses, não me dás. Nem é teu dever, porque nunca acreditei na felicidade à custa de relações e agora mais sei que se não for por mim, também ninguém o irá fazer. Mas ainda assim eu esperava que visses o lugar onde eu me encontro e me quisesses salvar, mas tu não o fazes e eu só vou mais fundo por ver até o meu grande amor destruído. Tu abandonaste-me no segundo em que eu pensei estar a levantar-me e era nesse segundo que mais custava ter força para o impulso, e a minha queda foi tão grande que eu não sei onde fiquei. Agora tenho outra vez medo do escuro e as noites voltaram a ficar complicadas, a muito tempo que não era assim. Agora o meu sorriso é falso e quando escrevo não consigo ter força para conter as lágrimas e penso que quando parar de chorar tudo vai ficar mais leve mas não fica. Dia após dia, o espelho fica pior e os meus pensamentos mais fundos. Estou provavelmente pálida e gelada pelas lágrimas que me correm e pela vida. Não me apetece comer ou dormir com vontade. Se durmo é porque me quero esquecer e esquecer-te e se como é para não ficar mais débil. A única coisa que me segura são os meus livros porque ainda tenho esperança de fazer a diferença, um dia. Mas até disso tenho medo e sobre o meu sonho não sei sonhar mais. E tu és mais uma dor a acrescentar ao meu peito. Sobre ti não tenho qualquer certeza, sobre ti não sei nada. Quando o teu nome toca o meu corpo, ela fica apertado e mais apertado e o peito doí-me e a minha cabeça roda. Sobre o teu nome eu não sei nada e fico a pensar se sobre ti alguma vez soube. As minhas certezas são pó e o meu amor por ti é como o meu amor por mim, dúbio, estranho e nublado. Por vezes com raios de sol mas quase sempre com chuva. E tu prometes, prometes e eu que não tenho força para mim, tenho força para esperar. Mas esperar pelo quê? Olha para mim, mas olha bem. Tu já não me conheces, nem eu me conheço mais. Mas olha bem outra vez, se achas que eu sou assim tão bonita ou forte porque é que eu não sinto e se ainda o achas porque é que não me mostras? Olha outra vez, nunca me viste assim pois não e ficas na dúvida se me queres assim não é? Estás cansado?! Eu estou morta. Morta de amor, pelo amor. Olha outra vez. Eu não vou ficar aqui muito tempo, talvez um dia vá e tu não me tenhas amado como devias. Olha meu amor, se eu ainda te escrevo é porque ainda há em mim um pouco do nosso grande amor, se eu ainda espero, é porque não morreu. Mas o meu corpo está fraco e a minha mente também. Tu que eras o meu único, não és mais e magoas-me como eles o fizeram. Estou sozinha, mas à espera. E não me levanto, não me levanto enquanto estiver na espera.
Eu tenho tantas saudades, mas tantas. Tantas que até matam, de ser feliz. Tenho tantas saudades do sol na minha alma, da força nos meus sonhos, da luta diária. Onde foi que eu me perdi? Como é que eu de tão leve e feliz passei para tão pesada e fraca? Como é que podemos passar do 100 para o 0? Nunca vou perdoar a vida por isso, nem nunca vou perdoar os responsáveis por tal, sim, porque não fui só eu. E é este o sentimento que me oscila entre a dor e o ódio. Eu não me sei levantar. Não sei. Não sei. Não sei. Alguém me ajude, por favor. Eu não sei fazer nada. Nem sei se quero, porque a dor pode voltar, volta sempre para mim. Ajuda-me. E eu sou assim, sou?
Little bird
É hábito culpar os outros pássaros pela nossa falta de coragem para voar ou de alguma maneira dizer que as árvores hoje não estão boas para repousar nelas. Que hoje está tudo muito verde para fechar os olhos ou que o escuro cega e não se pode bater as asas, esperasse pela manhã com luz. Mas isso é pele que nunca vesti. Desviada do meu bando, sempre voei e achei que das vezes que parei ou o fiz mais baixo, sem força, sempre me culpei. Sempre achei que o dia era bonito, e os outros pássaros super-heróis de capa vermelha, as andorinhas da melhor primavera, e eu, eu é que não estava bem. Se os pássaros não gostam da cor da minha brisa à passagem nas nuvens, então isso será com certeza uma questão pessoal, o meu voo está mal. Mas, também, sempre fui um daqueles pequenos seres rebeldes, que faz barulho e faz-se notar só porque existe e então nunca quis perder tal coisa, preferindo achar que haveria uma ou outra ave rara que me quisesse fazer companhia e no fundo sabia, como hoje, que sou um bicho solitário e que muitas vezes estás aves me serão impossíveis de ouvir cantar por pura impaciência de voadora mas mantenho-me teimosa ao meu feitio que tenho e sei que todos precisamos de um ninho com um piar todos os dias à nossa espera. Então, meu amor gordinho, quando eu te vejo a brincar com os pequenos cantores, vejo a tua doçura porque ainda és um também, fico de coração cheio, sabendo que haverá sempre alguma razão válida para eu não desistir. Porque tu mais que um pássaro, queres criar um homem e deixar-te no mundo. E desculpa não termos o nosso ninho e desculpa que sofra com isso, sofra de ansiedade e insegurança e me encha de cantos desafinados, mas meu amor tão voador eu amo-te, da minha maneira auto-descontrolada, independente, que sonha de filmes mas nunca será capaz de fazer um pois o céu é tão grande. E desculpa amar-te assim mas fica sabendo que te protegia de todas as quedas e chuvas do cinzento do horizonte se pudesse. E assim saberás também que para me teres forte, basta que me ames e não, não me largues a asa mesmo que eu pareça fundida no azul e no branco, porque meu amor jovem, eu não sei voar sem o teu corpo no meu. E se eu chorar por ti e o inverno vier então que encontremos andorinhas boas mas fica sabendo que serás sempre o meu amor e meu amor agora não me deixes e meu amor agora lê isto e chora, porque não haverá dia que eu não chore por não ter o teu amor, arrependida e culpando-me porque sou mesmo esse animal que descrevi nas primeiras entradas. Meu amor, chora porque o teu coração se me ama vai chorar também. Meu amor enorme e redondo, eu amo-te.
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