Morfina
Já não sei que é feito de ti, dos teus pedaços, das tuas imagens pela casa, das tuas fotografias no álbum gasto. Perdi-te algures num minuto de passagem, num minuto em que algo em mim caia para além de uma lágrima. E em algum lado tu deixaste-me ir e perdeste o meu cheiro para sempre. Foi como uma doença rara e fulminante, quando dei por mim já tinhas morrido e embora não literalmente, fui deixando escapar das minhas mãos o teu toque. Não sei qual o momento certo em que te deixei a mercê do esquecimento, mas foi depois de me deixares.
Lembro-me só de cair sobre o mundo com o coração apertado por toda a solidão que nele existe. E sobre o opaco do meu olhar, chorei. Chorei na cama, no chão, em todas as esquinas do nosso amor. E choveu lá fora e fez barulho dentro da minha cabeça. Recordo-me de não saber como te estava a perder, como foi possível não acordar do meu pesadelo e regressar para o meu sonho. E algures ai perdi-me também.
Foi meu fim antecipado. Pedi tanto que me levantasses e parasses tudo por um segundo para eu poder pensar. E tu não fizeste magia, continuou o mau tempo lá fora e cá dentro o vento já se sentia. E levou-te. Tenho a certeza que foi com ele foste quando senti aquele arrepio na espinha.
Limpei o rimel e o eyeliner dos olhos, sujei-me toda com o suor, embaciei o vidro para não me ver e penteei o cabelo com as minhas unhas roídas. Sai lá para fora esquecendo que te esqueci. Estavas ali à minha frente, não sei quando te encontrei. As tuas respirações pela casa estavam lá, os teus beijos também. Tenho tantas saudades tuas.
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