

As ironias do destino são de facto de rir, de sorrir. De certa maneira elas mantêm-se rebeldes à humanidade e ao mesmo tempo reservam o pouco de humano que há nelas de forma inerente. Como quando queremos fugir ao facto de sermos o que somos para ser algo que o mundo impõe. E o mundo passa a vida a impor. A vida impõe-se. Talvez esteja enganada ao pensar que nos comanda ou talvez sejamos puros tolos ao pensar que mandamos nela. Mas ironias estão lá sempre, está lá como uma boa música que encontramos por acaso, como um amigo que nos liga, um amigo que não sabíamos ser amigo. E surpreendem-nos e arrastam-nos e deixa-nos pesados e de semblante carregado. Por vezes deixam-nos demasiado chocados para reagir, outras fazem-nos chorar, outras, ainda, gritar de vitória. Mas melhores são aquelas que apesar de todo o seu peso de uma pena, peso demasiado pesado, nos dão força e nos encontram coincidências na vida e entre vidas que nos fazem querer mudar este mundo, o nosso, o de alguém. Elas são más e sorrateiras, mas quem não encontra um sentido no mal? Quem não diz que há "males que vêem por bem"? Elas são como uma criança que partiu a jarra, ficou assustada e fingiu a sua inocência. E nós sempre sorrimos com uma criança traquina. As ironias do destino, esse que talvez exista, talvez não, são de facto daquelas pequenas coisas que se tornam grandes quando percebemos que a sua rebeldia é só mesmo uma voz que soa alto no ouvido e diz: segue em frente!