Assim, após dar muitos beijos que não queria, mas que até devia, e deixar de dar muitos outros pelas mais ínfimas razões, quase sempre cobardia, e após dar inúmeros abraços a quem não devia, embora fossem raros esses, aprendi a medir a intensidade dos sentimentos e das emoções. Hoje, sei bem quando é amor ou quando é paixão, sei bem quando é um olhar ou é um espelho de alma, sei bem quando é um beijo intencional ou é um beijo apaixonado, sei bem quando é um forte abraço ou roubar de coração. Sei bem os propósitos e a ingenuidade. Sei bem todos os gestos e passos da verdade e todas as artimanhas da mentira. Como costumam dizer, sou demasiado perigosa e inatamente sedutora, verdadeiramente mulher.
Certo é que me tornei mulher à custa de lágrimas ao vento, suores de desespero e gritos de ansiedade. Não se é mulher quando se nasce só pela condição biológica. Nem se é mulher pelo que passaste. És mulher quando conjugas a tua alma de forma a dar beleza ao teu corpo e usas o teu corpo para abrir a tua alma.
Arranjo artimanhas e gestos e passos para ter quem quero e o que quero, consigo sempre concretizar os meus objectivos. Não passo por cima de ninguém, subo acima de mim, ultrapasso-me. Apaixono. Enfim, calculo muito bem todos esses dados que adquiri, vivo em pleno estado de alerta, caçadora na selva. Protejo-me a mim e ao único homem. Uma mulher tem um homem. A mulher tem o homem. Aquele em que os beijos e os abraços são verdadeiros. Aquele em que a paixão está na força do amor e não no poder da carne. E não interessa que tenha achado isso de outros ou vá achar, quando beijo ou abraço, tal como todas as mulheres, eu sei a diferença quando o faço com ele.






