Apesar de tudo tu és...

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Mentindo ou não, sentindo ou não, eu hoje fiz questão que soubesses aquilo que eu não gosto e que não concordo. E tu mentindo ou não, sentindo ou não, disseste-me que tinhas medo. E no fim, nós prometemos, mentindo ou não, sentindo ou não, que tentaríamos mais uma vez e eu não posso deixar de me sentir feliz por isso. Porque gosto de ti. Porque tenho saudades tuas. Podes ir embora quantas vezes quiseres, eu estarei sempre aqui. Podem dizer que sou tua escrava, que a nossa amizade não é equilibrada e que não existe amor entre amigos e digo-lhes que eles não sabem o que é sentir um vazio no peito quando não estás e que não sabem o que é chorar amarrada a uma almofada por não ter um sorriso teu. Por isso eu aceito todas as desculpas que me possas dar e todas as mentiras ou verdades que me possas dizer, porque eu te amo. És a "irmã" que pude escolher, és a amiga que me faz falta sempre. E se tivesse que enumerar dos momentos mais felizes da minha vida com certeza escolheria todos os momentos que passamos nas nossas casas. Eu vou sempre procurar-te, mandar-te sms quando não me falares, mandar-te carta após meses, escrever-te textos após anos, porque eu não acredito que alguém assim apareça na minha vida duas vezes.
E tu és a minha definição de Melhor Amiga.  

O significado de ser "Um Só"...


Maravilhosamente e drasticamente unidos. O teu peito nas minhas costas, as minhas mãos no teu quadril. A tua boca no meu peito, os meus olhos nos teus olhos. "Prometo que nunca te vou deixar... Se o quiser fazer, lembra-me deste dia e eu não te deixarei". Somos um, um só. É essa a diferença entre ti e todos os outros, tu tocas-me de uma forma demasiado comovente e demasiado profunda para eu não te ter na minha vida. Sempre, sempre e sempre. E quando penso sequer que assim não seja, que eu e tu não devíamos estar juntos, tu vens relembrar-me disso. Como se me garantisses que o meu mundo é teu e que venha quem vier, ninguém te vai substituir. E é verdade... Porque depois de pensar em tudo o que se passa no meu dia, eu deito-me na cama e só me lembro da forma como encaixas em mim. Não estou arrependida, não mesmo. Quando me entreguei a mais de dois anos, poderia achar que sim, mas eu sei que foi o melhor erro da minha vida e é por isso que és o meu namorado, e só a ti te dou esse lugar único. Porque só tu me conheces, é verdade, só tu me conheces... para os outros eu não sou metado do que sou contigo nem tão boa como quando estou na tua presença. E se tivesse de te realçar um ponto positivo, seria esse: tu foste a segunda pessoa com quem tive coragem de ser eu mesma, e a primeira e única que quando me conheceu não me deixou. Pois, porque é isso mesmo. Quando conheces alguém, verdadeiramente, dá sempre mal resultado, mas contigo não deu e acho que é por isso que és especial. Tu sabes todos os meus pensamentos e seria impensável não descobrires tudo o que eu sinto e, ainda assim, ficas comigo sempre. É por isso que tu és bonito. Não é pelo teu peito, nem pelo teu cabelo loiro e olhos cor-de-avelã, muito menos pelos teus lábios carnudos. És bonito porque me fazes bonita mesmo quando eu não sou, mesmo quando eu sou má, mesmo quando eu só tenho ódio, mesmo quando eu só quero fugir. E, ainda, assim, e por isso, eu não te sei amar da dimensão que tu mereces e condeno-me por isso, condeno-me imenso por isso!

Primeiro Prémio #5

 
« (...). Viajar num barquinho de papel ou numa noz parece-vos estranho? Pois ficar cego e continuar a viver e amar, a mim, parece-me muito mais. Não ver a água, não ver as árvores, os animais parece-vos pouco quando podeis ver sem olhar, mas para quem não vê deveras, parece-lhe tudo. Não ver o amor da vossa vida por um mês ou um ano, parece-vos muito, mas quem não vê deveras só o facto de saber que ele existe, está vivo e nos vê, já nos parece uma enormidade. Olhai bem para o relógio que trazeis, vocês podem.
  A nossa viagem tinha realmente demorado apenas cerca de quarenta ou cinquenta minutos, a questão é que não era o Rio Douro ou Tejo ou Odelouca que estavam ali, eram os caminhos da minha vida que ali se representavam. Doces e calmos, sinuosos e ácidos, fugazes e sedutores. Com paragens, com recuos, com margens, com curvas, com rectas, com tudo o que uma decisão implica. Com a loucura do excesso de Vinho do Porto mas com a classe de um passeio pelas ruas que Pessoa pisou.
  Estava morto, era um facto, e tudo aquilo não passou de um filme no qual eu me imaginei como protagonista. É assim que vejo a minha vida de fora: um filme com um mau argumento, desenquadrado daquilo que um bom actor tem para dar. De resto, conheci uma pessoa que me acompanhou nesses rios, co-protagonizando aquelas águas e, por isso, valeu a pena viver. Talvez seja isso. Talvez o significado de tudo esteja apenas num momento ou numa pessoa, ou então, esteja no conjunto de todas as nossas opções.
  E despertei: “Percebes agora tudo o que não respondi? Percebes que aqui não precisas de sapatos? Percebes que aqui não és cego e que vês melhor que ninguém?”. Abri os olhos e percebi que já não era cego, estava morto apenas, só isso.
  Só? Sim, só. Tenho todas as soluções do Universo e a paixão arrebatadora de uma obra literária. Aqui, do Céu, vê-se tudo muito melhor, não há nuvens ao contrário do que vos parece ai debaixo, porque a mim também me parecia.
  Cegos os que vivem na Terra. »

Fim 

Primeiro Prémio #4

 
« (...). O rio ficou mais recto, com menos curvas e sentia que alargara. O espaço ocupa lugar e aprendi a sentir isso. Só havia um rio assim – o Tejo. Tinha a certeza que nem um dia tinha passado mas eu tinha percorrido quase um país inteiro. Do Douro ao Tejo decorreram na minha mente apenas trinta minutos, e eu tinha a certeza de que não era uma relatividade. Não me apercebi de mudanças sinuosas de caminho, de passagens por ribeiros e ribeirinhos ou mesmo por outros rios grandiosos como o Mondego, que se deveria ter metido pelo meio do caminho. Do cheiro doce das vinhas do Douro ao cheiro ácido da cidade de Lisboa, não senti o cheiro sedutor de Coimbra, a minha eterna cidade.
  Foi em Coimbra que tirei a minha licenciatura em Geologia, e daí conhecer as terras de Portugal como conheço o pó de que sou feito, e foi lá que conheci Morgana.
  Lembro-me como se fosse hoje do medo do ridículo ao tentar seduzir uma deusa. Para mim que era um céptico, depois de conhecê-la, virei “Caeiro” e apaixonei-me pela Natureza. Mas a paixão transcendeu o intenso e transformou-se em amor. O amor da minha vida e da minha morte.
  E ainda meio zonzo perguntei-lhe onde estávamos, na tentativa de apaziguar a minha inquietação quanto ao tempo, - durante muito tempo levantei o pulso mostrando um relógio para o qual não tinha olhos, mas depois habituei-me, - e ela confirmou. E acrescentou, ainda, que de facto só tinha passado meia hora, mas que não perguntasse mais nada pois em breve teria todas as respostas do mundo na mão. Eu, como sempre, de resto, acreditei nela.
  Continuamos. E muitos podem não conhecer o que mencionarei agora mas lá no Sul, no Algarve, existe um rio cujo nome é “Odelouca” – habitam lá linces ibéricos e quem vir do céu este sitio, parecera-lhe o fim das águas do mundo formando um circulo, quase uma ilha no meio do nada– e por esse um lugar tão natural, selvagem e único em Portugal, foi esse o lugar escolhido, por ela, como o nosso destino. E chegamos. (...). »


Continua... 

Primeiro Prémio #3


« (...). Não respondi e deixei-me apenas levar pelo instinto animal de um homem que quer uma mulher. Continuava suave, a sua pele era como de um recém-nascido, pura. Cheirava ao seu perfume habitual, um qualquer que se vende em perfumarias e que dão um ar deliciosamente fatal à carne, feito para seduzir. Passei a mão pelos cabelos e continuavam secos nas pontas mas com ondas que o próprio mar quer roubar, compridos e fugidios. O rosto estava tenso e os maxilares contraiam-se. A sua cara era marcada, bem delineada. As costas de veludo abraçadas por uma cintura fina de libelinha, acabada numa sinuosa e acentuada curva, a anca larga e o rabo alto. Uma mulher. E eu, um homem. Ser cego revelou-me a sexualidade de outra maneira, mais que nunca dava atenção ao seu feminino.
  De repente senti um calor no ar, como se de o Outono passássemos para a Primavera, aqueles primeiros dias quentes que deixam gosto a Verão. Achei estranho o tempo correr e mudar assim, mas nada naquela viagem roçava sequer o normal. E ela mais uma vez adivinhou: “Não aches estranho se o tempo mudar… No final da viagem, no teu destino, irás perceber o porquê. Estou aqui”. Pois estava. Quando fiquei sem visão percebi que o amor é o maior valor do mundo, mas percebi que o facto de obrigarmos os outros a ser infelizes por nós, nos rouba o amor mais altruísta que há, o amor-próprio. E eu sei como deixar de me amar me matou como mata a dor de um filho a uma mãe. A minha personalidade assim o ditou, bem ou mal. (...). »

Continua...

Primeiro Prémio #2


« (...) Era uma jovem, demasiado bonita para ser verdade e demasiado forte para ser uma simples menina, e eu era um velho ou assim me sentia. Ela tinha 25 anos e eu tinha 44. A distância não é muita para quem vê de fora, mas quando não se vê qualquer luz, tudo nos parece mais pesado. E era assim que me sentia por vezes, um peso...
  Mas o que quero relembrar agora é o resto da nossa viagem…
  Continuamos muito devagar, pois num barquinho de papel, colocado num rio quase virgem, não se podia pedir muito mais e algo me dizia que aquela viagem não duraria muito mais tempo; sentia o barco a rasgar, o papel a amolecer e perder forma. “O barco está a desfazer-se… Trago uma noz aqui no bolso, queres continuar?”. Outra vez. “Quero”. “Estás cansado, não estás?”. “De viver? Sim…”. Ela não respondeu, mas sei que ficou frustada com a minha resposta. Viver com alguém farto de lutar e de sonhar como eu era difícil, louvo-lhe a persistência.
  Paramos numa margem. Ajudou-me a sair do barquinho e sentou-me na relva. Outra mazela.
  “Tira os sapatos. Não precisas deles no teu destino e, de qualquer maneira, estão molhados” – disse-me. “No meu destino?! Eu gosto do frio nos pés e da sensação que me dá a pele a enrugar-se nos dedos”. “Como queiras…”. Falou como se cumprisse a última vontade de um morto e, de facto, talvez assim fosse. “Se achas que vais morrer, concedes-me um último desejo?”. Não deveria ser eu a pedir?! – Pensei. “Sim, diz…”. Hesitou, respirou fundo e a tremer, - senti na sua voz -, pediu: “Fazes amor comigo?”. (...). »

Continua...

Primeiro Prémio #1

Este foi o texto - (postarei por partes) - com que ganhei o 1º Prémio no tal concurso, espero que gostem... 



« Pegou no barquinho de papel, colocou-o no rio e pediu-me que viajasse com ela.
Era-me impossível ver o que ela via, primeiro porque a visão me foi retirada naquele fatídico acidente, segundo porque a visão de uma mulher é única e pura, e isso eu nunca poderei ter na minha condição de homem. Confiava totalmente nela e sabia que me iria mostrar o mundo como ninguém.
         Conseguia apenas sentir em plenitude o que ela sentia vagamente: os quentes raios de sol a bater-me na cara. Disse-me que estávamos num rio rodeado de montes verdes que faziam a forma de um seio voluptuoso e que este apenas era quebrado pelas curvas do curso de água – era o Douro. Eu ouvia, não só a sua voz, mas também a água a correr furiosa, rápida e o vento revolto por entre as árvores cujo nome desconhecia.
Era Outono e eu reconheceria isso mesmo só tendo tacto. A conjugação do quente do sol e do frio do vento, típicos desta estação, é algo que identificaria em qualquer parte. Era a minha estação predilecta. Ela não mo disse, mas eu sei que, fora daquele barquinho, estava tudo castanho e com um ar velho.
         Continuámos rio acima e apercebi-me que a velocidade da viagem diminuiu.
         Pegou na minha mão e mergulhou-me os dedos na água. Cheirei as gotas e soube logo que nos encontrávamos num rio límpido e calmo, pela inexistência de odor. E disse-me: “Se pudesses ver a tua imagem neste rio, perceberias o que eu amo em ti. Mesmo sendo um rio, não consegue ser mais transparente do que tu. Mesmo sendo um elemento unicamente natural, não consegue ser mais selvagem do que tu… Não te perguntes mais o porquê de eu te amar, mesmo que não me possas ver, mesmo que não possas ver o que trago vestido ou o teu reflexo no brilho dos meus olhos”. Não percebia nem conseguia entender as suas divagações ou respostas para as quais não tinha formulado uma questão, mas talvez por me conhecer bem demais ela, Morgana, era assim o seu nome, acertava sempre no centro do meu pensamento. (...)» 


Continua...

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