Happy Birthday Dear Blog


Este blog faz 2 anos e para comemorar "re-publico" o meu primeiro post neste blog: 

«Solidão»
"Gosto deste sentimento de me sentir bem na minha solidão e detesto saber como isto me vai enfraquecer a alma! Acordo todos os dias, e todos os dias ou me sinto com vontade para o novo dia ou vou mal humorada para o sitio onde a minha solidão se vai revelar.
Apanhas o autocarro todos os dias, todos os dias vês as mesmas pessoas... Já te perguntas-te para onde vão? Eu ponho-me a pensar nas suas mentes, nos seus sonhos, serão iguais aos meus? Semelhantes? Acho que ando a sonhar como deve ser!
Ando a sonhar em encontrar uma maneira de fugir desta felicidade que a solidão me trás.
Ora é pesada esta felicidade, é chata, é corrosiva e comborente! Ora não é felicidade, é sobrevivência!
Lá naquele sitio depois da curta longa viagem todos os dias vou aprender aquilo que acho que não me serve de nada mas que me interessa demasiado. E todos os dias roou as unhas numa busca incessante de um tempinho para a minha solidão. Sento-me no banquinho pequeno e estreito, desconfortável como a solidão mas acolhedor como se ela sabe ser... E de vez enquando la vem uma alma penada perguntar que se passa com a minha que eu carrego, e eu respondo nada, absolutamente nada com pensamentos de quem diz: "Desaparece! Fica aqui!".
Sinto-me bem na minha solidão, sinto-me mal quando vem gente mostrar compaixão, não gosto da vossa compaixão... Faz-me sentir falta dela!
E passo metade do dia nisto, mais de metade do meu só dia... A outra metade passo a sonhar!
Sonho com o dia que a solidão vai ocupar só as noites em que não estas e os dias em que te vais...
Oh triste feliz solidão!" 

Obrigada aos meus 171 seguidores. Sem vocês o blog não tinha piada nenhuma. 
E principalmente agradeço por darem vida aos meus textos ao lerem-nos.

Enigma


Seja de que maneira for, tu estavas lá para me garantir que tudo o que dei por certo era errado. O teu olhar reclamava por atenção e o seu azul chamava-me para um pecado que eu queria cometer. Para quê voltar a cair no mesmo erro?. O meu corpo tremia. O meu sangue não sabia que ciclo seguir. Os meus músculos perdiam o equilíbrio. Mal conseguia andar quando se tratava de ir em direcção a ti. Pedias-me que caísse no teu mundo assim do nada mas ele era fechado demais para eu não me magoar ao fazê-lo, e de novo voltei a saber o que era ter inocência. Todas as tuas promessas me pareciam de sonho. A conquista de um novo amor é isso mesmo. Mas a tua expressão nunca me mentiu. A forma como paravas e hesitavas demonstrava a tua dúvida e nisso estávamos num mesmo patamar: apenas uma possibilidade de escolha para duas possíveis decisões, mas sem equiprobabilidade pois estava demasiada gente envolvida. Amor proibido? Não. Paixão condenada à morte. O nosso destino nunca foi o mesmo, as nossas decisões nunca estiveram inclinadas para planos iguais.
O teu corpo continuava a chamar por mim, como sempre, e o teu olhar, apenas esse, tinha mudado. Não em ti mas em mim, que quando o penetrei não lhe vi brilho, aquele encanto. 
Enquanto foste puro aos meus olhos, enquanto outro lábios não te tinha ainda tomado, tudo fazia sentido. Depois não. Já não eras meu como nunca foste. 
Insisti em sentir o teu corpo novamente e abracei-te. Continuavas envolvente e enorme, quente e potente. O meu corpo desfaleceu, arrependida mas incapacitada para fugir. Estava a trair-me, a magoar-me, mas nunca o masoquismo me soube tão bem, me pareceu tão adequado. E o depois, as consequências, não importavam. Se acordei, fui infeliz. Se fiquei, não sei. Porque tu és isso mesmo: o meu maior enigma.

Como antes

Apetece-me escrever para ti, sabendo, como sempre, que não lês. Desta vez sem a carga sentimental que se impunha antes, mas quase com o mesmo prazer em o fazer. O meu principio de esquecimento não me deixa sentir algo forte, no entanto sei o quão forte és em mim. 
Continuo a ver em ti algo que mais ninguém vê, mas agora não sou apaixonada por isso. Não significas o mesmo. Mas vou dizer que acho que és diferente, no teu intimo, que não mostras o que és aos outros. Que tens em ti algo que te impede de mostrar os teus sentimentos, algum factor social que te leva a ser algo aceitável. Talvez não me mostres a mim, isso é óbvio. Mas tenho dúvidas que o faças verdadeiramente com alguém. Nisso és bem diferente de mim. De quem eu gosto, eu entrego-me de alma. 
As tuas relações parecem-me sempre jogos, a maior parte de sedução - és um sedutor em tudo o que fazes -, todos com base numa mentira que és tu, é o que tu mostras ser, é o que tu queres ser. Pelo meio, restos de verdade e nisso o teu olhar não mente. Nunca mentiu. De todas as vezes que os nossos olhos se cruzaram nunca me mentiram. Os olhos são o espelho da alma, dizem. Fechados naquela sala, o teu olhar vago mostrou-me que algo não estava bem, e embora eu não quisesse aceitar isso, revelou-se uma verdade. És verdadeiro a olhar. Como vês é como és. Estarei enganada? 
És influenciável, pouco decidido, precipitado, orgulhoso, incoerente, ainda assim um sedutor. Tens um sorriso feio, ainda assim és um sedutor. És cheio de pequenos defeitos físicos, ainda assim todos te acham encantador, és um sedutor. Tens um encanto natural. Tens algo inexplicável que eu vejo em ti e que sempre me seduz. Mas tens uma capacidade de matar, de magoar, fantástica. Como um predador. Seduzes e matas. 

Lovers